No dia 27 de Setembro de 2025, Angola alcançou um marco de grande relevância na conservação ambiental e no desenvolvimento sustentável com a integração oficial da Reserva da Biosfera da Quiçama no Mapa Mundial das Reservas da Biosfera da UNESCO.
O anúncio foi feito durante a 37ª Sessão do Conselho Coordenador Internacional do Programa Homem e a Biosfera (MaB), realizada em Hangzhou, China, consolidando o papel do país na protecção da biodiversidade e na promoção de modelos de convivência equilibrada entre natureza e sociedade.
O que é uma Reserva da Biosfera
As Reservas da Biosfera são territórios reconhecidos pela UNESCO como espaços que conciliam conservação ambiental, desenvolvimento humano sustentável e investigação científica aplicada. Criado nos anos 70 no âmbito do Programa Homem e a Biosfera (MaB), este estatuto transforma as áreas designadas em “laboratórios vivos”.
Nesses territórios desenvolvem-se actividades como:
- Monitoramento ecológico e climático;
- Investigação e inovação científica em ecossistemas;
- Educação ambiental e formação técnica;
- Promoção de práticas económicas sustentáveis para as comunidades.
Actualmente, mais de 700 áreas em todo o mundo estão integradas na Rede Mundial de Reservas da Biosfera, formando um sistema de cooperação internacional para enfrentar desafios globais como alterações climáticas, perda de biodiversidade, desertificação e poluição.
A UNESCO instituiu o 3 de Novembro como o Dia Internacional das Reservas da Biosfera, sublinhando o papel destes territórios na construção de soluções para os principais problemas ambientais da actualidade.
Um marco histórico para Angola
A designação da Quiçama como Reserva da Biosfera ocorre no ano em que Angola celebra os 50 anos da sua Independência, atribuindo-lhe um forte valor simbólico. Pela primeira vez, o país passa a fazer parte da rede mundial, criando novas oportunidades de cooperação internacional e fortalecendo a sua posição no debate sobre políticas ambientais globais.
A Reserva da Biosfera da Quiçama
Com cerca de 33.160 km², a Quiçama estende-se desde a foz do Rio Longa até à Ilha de Luanda, integrando diversos ecossistemas costeiros, marinhos e terrestres. Entre as áreas de maior destaque encontram-se:
- O Complexo Mussulo‐Cuanza e Cabo Ledo;
- As zonas húmidas do Rio Longa;
- Mangais, lagoas e áreas sensíveis de transição ecológica;
- Locais de nidificação de aves e tartarugas marinhas, como a Ilha da Cazanga e o Ilhéu dos Pássaros.
A reserva abriga ainda espécies emblemáticas da fauna africana, como o manatim africano (Trichechus senegalensis) e o elefante‐da‐savana (Loxodonta africana), fundamentais para o equilíbrio dos ecossistemas aquáticos e terrestres.
Benefícios concretos para Angola
A criação da Reserva da Biosfera da Quiçama traz múltiplos ganhos para o país, com impactos a curto, médio e longo prazo:
- Prestígio internacional: reforça a imagem de Angola como nação comprometida com a conservação ambiental e o desenvolvimento sustentável.
- Acesso a redes internacionais: facilita o intercâmbio científico, técnico e de gestão ambiental.
- Oportunidades económicas: impulsiona o ecoturismo, gerando emprego e rendimentos para as comunidades locais.
- Valorização do conhecimento tradicional: integra práticas culturais e comunitárias na gestão dos recursos naturais.
- Captação de financiamentos internacionais: abre portas para fundos destinados a conservação da biodiversidade e adaptação climática.
- Fortalecimento da educação e investigação: estimula a formação de quadros nacionais e projectos de ciência aplicada.
Um futuro sustentável
A entrada da Quiçama na Rede Mundial de Reservas da Biosfera marca o início de uma nova etapa para Angola. Mais do que um reconhecimento, trata-se de um compromisso efectivo: proteger ecossistemas vitais, reforçar o papel das comunidades locais e construir caminhos de desenvolvimento alinhados aos Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Este marco lança as bases para que Angola amplie a sua rede de áreas de conservação e se torne referência em gestão integrada da biodiversidade e sustentabilidade no continente africano.

















