O Jardim Comunitário do Rio Seco surge como uma resposta aos desafios ambientais e sociais enfrentados em espaços urbanos informais em Luanda, marcados pela acumulação de resíduos, cheias, erosão e ausência de infraestruturas básicas.
O projecto foi desenvolvido como um projecto de tese de mestrado da Arquitecta Helena De Raeymaeker, com uma abordagem participativa e adaptativa, envolvendo comunidades locais, técnicos e parceiros institucionais, com o objectivo de transformar um espaço degradado num ambiente comunitário funcional, seguro e resiliente.
Esta intervenção representa um protótipo de regeneração urbana, onde o espaço público passa a servir como ponto de encontro, aprendizagem e bem-estar.







Resultados do Projecto
- 486 kg de resíduos removidos durante as campanhas de limpeza
- Criação de um espaço comunitário com zonas de sombra, convívio e recreação
- Implementação de um ecoponto para sensibilização e gestão de resíduos
- Realização de workshops comunitários com crianças e moradores
- Desenvolvimento de um modelo adaptativo de intervenção urbana
O que foi implementado
- Limpeza e preparação do terreno com participação comunitária
- Análises de solo e água para garantir segurança ambiental. Ver o artigo “Como o acúmulo de resíduos e saneamento precário compromete solo e águas do rio Cabolombo”
- Levantamento técnico (topografia e condições do terreno)
- Instalação de áreas de estar e convívio comunitário
- Integração de infraestruturas simples, resilientes e de baixa manutenção
- Actividades práticas com a comunidade:
- Plantação
- Pintura de elementos do espaço
- Sensibilização ambiental










Desafios Enfrentados
O projecto revelou a complexidade de trabalhar em contextos urbanos informais e dinâmicos:
- Falta de alinhamento institucional, com mudanças nas decisões sobre o uso do espaço
- Resistência de alguns moradores, apesar do interesse geral da comunidade
- Dificuldades na mobilização contínua da população
- Cheias e erosão, que alteraram significativamente o terreno
- Reaparecimento de resíduos após a limpeza, evidenciando que o problema é estrutural e não pontual
O processo exigiu flexibilidade constante e adaptação contínua, uma vez que as condições sociais e ambientais mudavam rapidamente.
Aprendizagens Principais
- Intervenções comunitárias não são lineares, exigem escuta activa e adaptação
- Pequenas acções podem gerar impacto significativo a longo prazo, especialmente marcar as crianças
- A participação local é essencial, mas deve ser progressiva e construída com confiança
- Soluções devem ser simples, resilientes e adequadas ao contexto
- A regeneração urbana exige integrar ambiente, comunidade e governação
Agradecimentos
A EcoAngola agradece profundamente a todos os parceiros, voluntários e membros da comunidade que contribuíram para tornar este projecto possível.
Dos quais um agradecimento especial à NOLA-Lab por ter confiado na EcoAngola para esta parceria, a Administração Comunal do Benfica por continuamente abrir portas as actividades da EcoAngola, à AutoMania e a ELISAL por continuarem a apoiar as actividades de limpeza de resíduos da EcoAngola, e ao financiador desta iniciativa Stimuleringsfonds.
Este jardim é um símbolo de resiliência, colaboração e esperança. Mostra que, mesmo em contextos desafiantes, é possível construir soluções com impacto real quando há vontade colectiva e compromisso com o futuro.
PARCEIROS:
APOIOS:
