A Lista Vermelha da UICN — União Internacional para a Conservação da Natureza — é o inventário mais completo e reconhecido internacionalmente sobre o estado de conservação das espécies do planeta. Criada em 1964, é hoje considerada o mais importante instrumento científico disponível para orientar decisões de conservação da biodiversidade a nível mundial, regional e Nacional. A sua base de dados reúne avaliações realizadas por uma rede de mais de 10.000 especialistas distribuídos pelo mundo, na qual constam mais de 150.000 espécies, sendo cerca de 42.000 ameaçadas.
A Lista Vermelha não se limita a identificar espécies em risco imediato de extinção. O seu valor científico reside na quantificação rigorosa do risco, com base em critérios mensuráveis e reproduzíveis, permitindo comparações ao longo do tempo, entre países e entre grupos taxonómicos.
Quando um governo adopta e adapta o sistema ao seu contexto nacional, como Angola o fez através do Decreto Executivo n.º 252/18, de 13 de Julho de 2018, a Lista Vermelha torna-se também um instrumento de política ambiental e um fundamento legal para a protecção de espécies. Em Angola, a Lista Vermelha Nacional foi criada reconhecendo as obrigações impostas pela Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB), pela Convenção CITES sobre o comércio de espécies ameaçadas, e pela Estratégia e Plano de Acção Nacional para a Biodiversidade (Resolução n.º 42/06), e funciona como um pilar fundamental que articula a fundamentação científica para a gestão de recursos com a identificação de áreas e espécies de elevada importância, servindo de guia para as políticas de protecção e o ordenamento do território. Para além disso, esta ferramenta sensibiliza a sociedade e os parceiros internacionais para a urgência da crise da biodiversidade, permitindo monitorizar a eficácia das acções de conservação ao longo do tempo e garantir que os compromissos assumidos em tratados internacionais sejam devidamente respeitados.
Critérios e categorias das Lista Vermelhas
A elaboração de uma Lista Vermelha segue uma metodologia rigorosa e padronizada pela UICN, cujo objectivo é aumentar a objectividade e transparência na avaliação do estado de conservação das espécies. A avaliação assenta na recolha sistemática de informação científica — registos históricos, estudos populacionais, dados de habitat e modelos de distribuição geográfica — sendo determinadas duas métricas espaciais fundamentais: a Extensão de Ocorrência (EOO), que delimita o polígono geográfico total da espécie, e a Área de Ocupação (AOO), que quantifica o habitat efectivamente utilizado dentro desse limite. Com base nestes dados, os especialistas aplicam cinco critérios quantitativos — A, B, C, D e E — que avaliam aspectos como redução populacional, restrição geográfica, tamanho da população e probabilidade de extinção. Uma espécie é classificada na categoria mais elevada para a qual satisfaça pelo menos um critério, e cada avaliação é submetida a revisão independente por especialistas.
O sistema da UICN define nove categorias: Extinto (EX), quando não há dúvida razoável de que o último indivíduo morreu; Extinto na Natureza (EW), quando os últimos indivíduos sobrevivem apenas em cativeiro ou cultivo; Criticamente em Perigo (CR), Em Perigo (EN) e Vulnerável (VU), que reflectem graus crescentemente menores de risco de extinção — sendo os três designados colectivamente como “ameaçados”; Quase Ameaçado (NT), para espécies próximas de atingir um limiar de ameaça; Menos Preocupante (LC), para as restantes espécies avaliadas; e ainda Dados Insuficientes (DD) e Não Avaliado (NE), que não reflectem o grau de ameaça mas sim o estado do conhecimento científico disponível.
Em Angola, a Lista Vermelha foi aprovada pelo Decreto Executivo n.º 252/18, organiza as espécies em quatro categorias: A, B, C e D, no entanto, vale realçar que o sistema de categorias adoptado em Angola, segue uma estrutura simplificada adaptada à realidade e capacidade institucional do país, não sendo estritamente conforme recomendado pela UICN (ver tabela abaixo). O National Red List Project (Projecto Lista Vermelha Nacional) (base de dados internacional das listas vermelhas nacionais), classifica oficialmente os critérios angolanos como “Non-IUCN” (Não-UICN), reconhecendo a sua validade científica enquanto instrumento nacional, mas assinalando que os limiares quantitativos diferem dos critérios globais.
| Categoria | Designação | Definição |
|---|---|---|
| A — Extinta (Ex) | Espécie Extinta | Refere-se a extinções em território angolano e não necessariamente extinções globais. |
| B — Ameaçada (AEx) | Ameaçada de Extinção | Diversos factores ameaçam seriamente a existência da espécie, dificultando a sua reprodução ou regeneração natural, reduzindo populações abaixo de níveis sustentáveis. |
| C — Vulnerável (Vu) | Espécie Vulnerável | Engloba um espectro mais amplo do que o equivalente IUCN, sendo aplicável quando a espécie enfrenta pressões humanas significativas no território Nacional, mas ainda não críticas. |
| D — Invasora (Exo) | Espécie Invasora | Espécie que não ocorre naturalmente ou foi introduzida no território nacional, podendo constituir ameaça à biodiversidade nativa. |
A UICN recomenda que todas as espécies sob a jurisdição de cada país sejam avaliadas correctamente de acordo com as Categorias e Critérios da Lista Vermelha da UICN, pelo menos uma vez a cada dez anos e, se possível, a cada cinco anos. As avaliações com mais de dez anos são assinaladas como “mais de 10 anos”, indicando a necessidade de actualização.
Angola é distinguida como sendo um dos poucos países no mundo que, recentemente (nos últimos 10 anos), actualizou sua lista de espécies ameaçadas, no Projecto Lista Vermelha Nacional da UICN, Não obstante a distinção, o INBAC, reconhece a necessidade de se iniciar os preparativos para a actualização da Lista Vermelha Nacional, pois a mesma completará 10 anos e 2028.
Lista vermelha de Angola
Categoria A — Espécies Extintas em Angola
A Categoria A identifica espécies com histórico documentado de ocorrência natural em território angolano actualmente extintas a nível nacional. Esta categoria não implica necessariamente extinção global, embora todos os casos listados correspondam a espécies globalmente ameaçadas ou com declínios dramáticos.
Rinoceronte preto (Diceros bicornis), hiena-castanha (Parahyaena brunnea, anteriormente Hyaena brunnea) a esquerda e pinguim do Cabo (Spheniscus demersus) a direita. Fonte: ismaeljsnature (2012); animalia.bio (S.D.); oeco, 2012
| Nome Vulgar | Nome Científico | Contexto e Causas Prováveis de Extinção Local |
|---|---|---|
| Rinoceronte Preto | Diceros bicornis | Extinto em Angola nas décadas de 1970–1990 devido à caça furtiva intensiva para obtenção do corno, agravada pelas perturbações do conflito armado. Criticamente Ameaçado a nível global (4.323 indivíduos restantes em África). Ocorreu nas savanas e florestas abertas do sul de Angola. |
| Hiena Castanha | Hyaena brunnea | Presença histórica documentada no sul de Angola (Namibe e Cunene). Extinta ou com ocorrência extremamente rara no território. Globalmente Quase Ameaçada (< 10.000 ind.). Perseguição directa como predador de gado e pressão sobre presas selvagens são as causas principais do desaparecimento local. |
| Pinguim do Cabo (Africano) | Spheniscus demersus | Colonizou historicamente ilhas e costas do sul de Angola (Ilha dos Tigres). Extinção local causada pela sobrepesca industrial, perturbação dos locais de nidificação e poluição por hidrocarbonetos. Ameaçado de Extinção a nível global; população global diminuiu mais de 60% nas últimas três décadas. |
As extinções locais são os primeiros sinais de alerta. Antes de uma espécie desaparecer do planeta, desaparece de região em região.
Categoria B — Espécies Ameaçadas de Extinção
A Categoria B inclui espécies cujos factores de ameaça comprometem seriamente a reprodução ou regeneração natural, levando populações abaixo de níveis sustentáveis. Segue a lista completa abaixo, conforme o Decreto Executivo n.º 252/18.
Mamíferos — 19 espécies
| Nome Vulgar | Nome Científico | Contexto e Causas Prováveis de Extinção Local |
|---|---|---|
| Mabeco | Lycaon pictus | Caça furtiva de animais que consome |
| Hiena-malhada | Crocuta crocuta | Caça furtiva de animais que consome |
| Protelo | Proteles cristatus | Caça furtiva de animais que consome |
| Leão | Panthera leo | Caça furtiva de animais que consome |
| Chita | Acinonyx jubatus | Caça furtiva de animais que consome |
| Zebra de Montanha | Equus zebra hartmannae | Caça furtiva |
| Gorila | Gorilla gorilla | Caça furtiva |
| Pacaça (Búfalo vermelho) | Syncerus caffer nanus | Caça furtiva |
| Cabra do mato comum | Sylvicapra grimmia | Caça furtiva |
| Chimpanzé | Pan troglodytes | Caça furtiva |
| Manatim africano | Trichechus senegalensis | Pesca ilegal e degradação do habitat |
| Macaco de Brazza | Cercopithecus neglectus | Caça furtiva |
| Colobo | Colobus angolensis | Caça furtiva |
| Palanca Negra Gigante | Hippotragus niger variani | Caça furtiva |
| Raposa das areias | Vulpes chama | Caça furtiva de animais que consome |
| Suricata | Suricata suricatta | Caça furtiva |
| Búfalo | Syncerus caffer caffer | Caça furtiva e fragmentação do habitat |
| Girafa de Angola | Giraffa camelopardalis angolensis | Caça furtiva |
| Babuíno (Macaco cão) | Papio ursinus | Caça furtiva e fragmentação do habitat |
Répteis — 1 espécie
| Nome Vulgar | Nome Científico | Ameaça Principal |
|---|---|---|
| Tartaruga de Couro | Dermochelys coriacea | Destruição dos ninhos e captura indirecta |
Aves — 7 espécies
| Nome Vulgar | Nome Científico | Ameaça Principal |
|---|---|---|
| Tordo-da-furnas | Xenocopsychus ansorgei | Endémica, fragmentação do habitat |
| Cinzentinho | Estrilda thomensis | Endémica, fragmentação do habitat |
| Garça de Garganta-Vermelha | Egretta vinaceigula | Causas desconhecidas |
| Grou Coroado | Balearica regulorum | Causas desconhecidas |
| Papagaio-cinzento | Psittacus erithacus | Caça furtiva para domesticação |
| Grou Carunculado | Bugeranus carunculatus | Causas desconhecidas |
| Garça de Barriga-Vermelha | Ardeola rufiventris | Causas desconhecidas |
Peixes — 3 espécies
| Categoria | Designação | Definição |
|---|---|---|
| Raia Manta | Manta birostris | Pressão da pesca ilegal |
| Tubarão Azul | Prionace glauca | Pressão da pesca ilegal |
| Tubarão Tigre | Galeocerdo cuvier | Pressão da pesca ilegal |
Categoria C — Espécies Vulneráveis
A Categoria C reúne espécies cuja actividade humana ameaça a existência em território nacional. É a categoria com maior número de espécies listadas, abrangendo mamíferos, aves, répteis, crustáceos, cetáceos, peixes, insectos e vegetais. Segue abaixo a lista completa, conforme o Decreto Executivo n.º 252/18.
Mamíferos — 18 espécies
| Nome Vulgar | Nome Científico | Ameaça Principal |
|---|---|---|
| Babuíno-cinzento | Papio ursinus | Fragmentação do habitat |
| Babuíno amarelo | Papio cynocephalus | Fragmentação do habitat |
| Chacal de flancos raiados | Canis adustus | Caça furtiva de animais que consome |
| Chacal de dorso preto | Canis mesomelas | Caça furtiva de animais que consome |
| Raposa orelhuda | Otocyon megalotis | Caça furtiva de animais que consome |
| Ratel | Mellivora capensis | Caça furtiva |
| Lontra castanha | Lutra maculicollis | Caça furtiva |
| Civeta | Civettictis civetta | Caça furtiva |
| Gato bravo | Felis silvestris | Caça furtiva de animais que consome |
| Serval | Leptailurus serval | Caça furtiva de animais que consome |
| Caracal | Felis caracal | Caça furtiva de animais que consome |
| Leopardo | Panthera pardus | Caça furtiva de animais que consome |
| Pangolim Vulgar | Manis temminckii | Fragmentação do habitat |
| Gimbo | Orycteropus afer | Fragmentação do habitat |
| Elefante de Savana | Loxodonta africana africana | Caça furtiva e fragmentação do habitat |
| Elefante de Floresta | Loxodonta africana cyclotis | Caça furtiva e fragmentação do habitat |
| Zebra de planície | Equus burchellii | Caça furtiva |
| Pangolim da Floresta | Manis tetradactyla | Caça furtiva |
Aves — 31 espécies
A maioria das aves vulneráveis listadas são estritamente endêmicas de Angola. A fragmentação do habitat é a ameaça dominante neste grupo.
| Nome Vulgar | Nome Científico | Ameaça Principal |
|---|---|---|
| Olho-de-curuncula de testa branca | Platysteira albifrons | Endémica, fragmentação do habitat |
| Perdiz de Estrias cinzentas | Francolinus griseostriatus | Endémica, fragmentação do habitat |
| Perdiz de Montanhas | Francolinus swierstrai | Endémica, fragmentação do habitat |
| Ândua de Crista Vermelha | Tauraco erythrolophus | Endémica, fragmentação do habitat |
| Rabo de Junco de Rabadilha vermelha | Colius castanotus | Endémica, fragmentação do habitat |
| Tordito da Gabela | Sheppardia gabela | Endémica, fragmentação do habitat |
| Tordo-da-furnas | Xenocopsychus ansorgei | Endémica, fragmentação do habitat |
| Rouxinol de Pulitzer | Macrosphenus pulitzeri | Endémica, fragmentação do habitat |
| Papa-moscas de Angola | Melaenornis brunneus | Endémica, fragmentação do habitat |
| Altador-de-poupa de Gabela | Prionops gabela | Endémica, fragmentação do habitat |
| Zomboteiro de Damaralandia | Phoeniculus damarensis | Endémica, Deserto do Namibe |
| Bico de Serra vermelha | Tockus damarensis | Endémica, fragmentação do habitat |
| Bico de Serra Monteiro's | Tockus monteiri | Endémica, Deserto do Namibe |
| Cotovia Angolana | Mirafa angolensis | Espécie endémica |
| (s/n vulgar) | Ammomanopsis grayi | Endémica, fragmentação do habitat |
| Cotovia de bico comprido | Certhilauda benguelensis | Endémica, fragmentação do habitat |
| Unha longa de Grimwood | Macronyx grimwoodi | Endémica, fragmentação do habitat |
| (s/n vulgar) | Parus carpi | Endémica, fragmentação do habitat |
| Chiricuata de cabanis | Phyllastrephus cabanisi | Endémica, fragmentação do habitat |
| (s/n vulgar) | Namibornis herero | Endémica, fragmentação do habitat |
| (s/n vulgar) | Cisticola luapula | Endémica, fragmentação do habitat |
| Boita de ansorge | Cisticola rufilatus | Endémica, fragmentação do habitat |
| (s/n vulgar) | Cisticola dambo | Endémica, fragmentação do habitat |
| Papa-moscas de Bohm | Muscicapa boehmi | Endémica, fragmentação do habitat |
| Papa-mosca fuliginoso | Muscicapa infuscata | Endémica, fragmentação do habitat |
| Batis de Angola | Batis minulla | Endémica, fragmentação do habitat |
| Picanço Pairador | Lanioturdus torquatus | Endémica, fragmentação do habitat |
| Tecelão de Bocage | Ploceus temporalis | Endémica, fragmentação do habitat |
| Cor de Cinza | Euschistospiza cinereovinacea | Endémica, fragmentação do habitat |
| Avestruz | Struthio camelus | Caça furtiva / captura para domesticação |
Répteis — 10 espécies
| Nome Vulgar | Nome Científico | Ameaça Principal |
|---|---|---|
| Tartaruga Oliva | Lepidochelys olivacea | Destruição dos ninhos e captura indirecta |
| Tartaruga cabeçuda | Caretta caretta | Captura indirecta e poluição marinha |
| Tartaruga Verde | Chelonia mydas | Destruição dos ninhos e captura indirecta |
| Tartaruga de Pente | Eretmochelys imbricata | Captura indirecta e poluição marinha |
| Tartaruga (Cágado) de dobradiças de Bell | Kinixys belliana | Degradação do habitat |
| Crocodilo | Crocodylus niloticus | Caça furtiva de animais que consome |
| Crocodilo de focinho ponteagudo africano | Mecistops cataphractus | Caça furtiva de animais que consome |
| Cágado de lama Negra da África Oriental | Pelusios subniger subniger | Degradação do habitat |
| Cágado de dobradiças serrilhadas | Pelusios sinuatus | Degradação do habitat |
| Jibóia | Boa sp. | Caça furtiva e fragmentação do habitat |
Crustáceos — 1 espécie
| Nome Vulgar | Nome Científico | Ameaça Principal |
|---|---|---|
| Caranguejo de Profundidade | Chaceon maritae | Pesca ilegal |
Cetáceos — 6 espécies
| Nome Vulgar | Nome Científico | Ameaça Principal |
|---|---|---|
| Baleia Azul | Balaenoptera musculus | Poluição e encalhamento |
| Cachalote-anão | Kogia sima | Poluição e encalhamento |
| Falsa-orca | Pseudorca crassidens | Poluição e encalhamento |
| Baleia de Bossa | Megaptera novaeangliae | Poluição e encalhamento |
| Baleia Sardinheira | Balaenoptera borealis | Poluição e encalhamento |
| Golfinho Comum | Delphinus delphis | Poluição e pesca ilegal |
Peixes — 4 espécies
| Nome Vulgar | Nome Científico | Ameaça Principal |
|---|---|---|
| Carapau | Decapterus punctatus | Pesca ilegal |
| Dentão | Dentex angolensis | Pesca ilegal |
| Savelha, Galucha e Ouilucha | Ethmalosa fimbriata | Pesca ilegal |
| Linguado | Arnoglossus capensis | Pesca ilegal |
Insectos — 4 espécies
| Nome Vulgar | Nome Científico | Ameaça Principal |
|---|---|---|
| Salalé (Termites) | Macrotermes subhyalinus | Exploração ou captura insustentáveis |
| Zitsombe (larva) | Rhynchophorus phoenicis | Exploração ou captura insustentáveis |
| Angola Sparklewing | Umma femina | Espécie endémica |
| Angola Jewel | Chlorocypha crocea | Espécie endémica |
Vegetais — 30 espécies
A grande maioria das espécies vegetais vulneráveis está ameaçada pela exploração florestal comercial insustentável. Várias são espécies madeireiras de alto valor económico global.
| Nome Vulgar | Nome Científico | Ameaça Principal |
|---|---|---|
| Moreira | Chlorophora excelsa | Exploração insustentável |
| Munguba | Entandrophragma utile | Exploração insustentável |
| Muanza | Albizia glaberrima | Exploração insustentável |
| Undianuno / Kibaba | Khaya anthotheca | Exploração insustentável |
| Tacula | Pterocarpus angolensis | Exploração insustentável |
| Ako | Antiaris welwitschii | Exploração insustentável |
| Longui | Gambeva africana | Exploração insustentável |
| Mafumeira | Ceiba pentandra | Exploração insustentável |
| Tola-Chifuta | Oxystigma oxyphyllum | Exploração insustentável |
| Xinga-Xinca / Muazanza | Piptadeniastrum africanum | Exploração insustentável |
| Munguela | Ricinodendron heudelotii | Exploração insustentável |
| Imbondeiro | Adansonia digitata | Urbanização e industrialização |
| Kitiba | Entandrophragma angolensis | Exploração insustentável |
| Ebano | Diospyros mespiliformis | Exploração insustentável |
| Pau-ferro | Caesalpinia leostachya | Exploração insustentável |
| Pau-preto | Dalbergia latifolia | Exploração insustentável |
| Sândalo africano | Santalum album | Exploração insustentável |
| Mogno | Khaya sp. | Exploração insustentável |
| Kungulo-Mukungulo | Autranella congolensis | Exploração insustentável |
| Mupanda | Brachystegia apiciformis | Exploração insustentável |
| Welwitschia | Welwitschia mirabilis | Sobrepastoreio |
| Mucumbi-Kumbi | Lannea welwitschii | Exploração insustentável |
| N'Dulu-Ako | Antiaris welwitschii | Exploração insustentável |
| Kababa-Ohia | Celtis mildbraedii | Exploração insustentável |
| Os mangais (todas as espécies) | R. Mucronata / B. gymnorrhiza | Abate indiscriminado e poluição química |
| Nfumbua | Gnetum africanum | Exploração insustentável |
| Makakata | Harpagophytum procumbens | Exploração insustentável |
| Palmeiras Nativas | — | Urbanização e exploração de inertes e seiva |
| Pau de Cabinda | Pausinystalia macroceras | Exploração insustentável |
| Pau-Rosa | Swartzia fistuloide | Exploração insustentável |
Categoria D — Espécies Invasoras
A Categoria D identifica espécies que não ocorrem naturalmente em Angola ou foram introduzidas no território nacional, constituindo uma ameaça directa à biodiversidade nativa ao competirem com espécies autóctones, alterarem os regimes de fogo, infestarem cursos de água ou eliminarem o estrato herbáceo. Angola regista oficialmente 18 espécies invasoras — 1 peixe e 17 vegetais.
| Nome Vulgar | Nome Científico | Comportamento Invasor |
|---|---|---|
| Cacusso | Tilapia sp. | Fora do seu habitat natural, reproduz-se rapidamente e elimina as espécies piscícolas nativas dos sistemas de água doce. |
Vegetais — 17 espécies
A grande maioria das espécies invasoras vegetais registadas em Angola são plantas cosmopolitas de rápida dispersão que dominam habitats perturbados, marginais e degradados.
| Nome Vulgar | Nome Científico | Áreas Invadidas |
|---|---|---|
| Cromolena | Chromolaena odorata | Clareiras de florestas, bermas de estradas, savanas e cursos de água |
| — | Solanum mauritianum | Margens das florestas, bermas de estradas e arredores de povoações |
| Camará / Cambara / Camará-de-Cheiro | Lantana camara | Savanas, bermas de estradas e margens das florestas, arredores de povoações |
| Mamona / Mamoneira | Ricinus communis | Cursos de água, zonas húmidas e bermas de estradas |
| Jacintos de água | Eichhomia crassipes | Cursos de água, zonas húmidas e canais de irrigação |
| Prosopis | Prosopis glandulosa | Meio urbano e espaços verdes — domina quase todas as áreas |
| Figo-do-diabo / Opúncia | Opuntia stricta | Zonas áridas e arenosas — especialmente escarpa sul |
| — | Calotropis gigantea | Bermas de estradas, margens de aldeias e campos cultivados |
| Acácia | Acacia saligna | Elimina o estrato herbáceo à sua volta em zonas perturbadas |
| Inga pequeno | Inga vera | Zonas áridas e arenosas — especialmente norte e centro |
| Leucena | Leucaena leucocephala | Zonas áridas e arenosas — rápida colonização de solo degradado |
| Erva-de-São João | Ageratum conyzoides | Bermas de estradas, margens de aldeias e campos cultivados |
| Picão-bravo / Botão de Ouro | Galinsoga parviflora | Bermas de estradas, margens de aldeias e campos cultivados |
| Erva-de-touro | Tridax procumbens | Bermas de estradas, margens de aldeias e campos cultivados |
| Cardo Santo | Argemone mexicana | Cosmopolita — domina quase todas as áreas perturbadas |
| Cana-do-reino | Arundo donax | Campos cultivados, bermas de estradas, margens de rios |
| Margaridão / Girassol mexicano | Tithonia diversifolia | Bermas de estradas, margens de aldeias e campos cultivados |
Conclusão e Perspectivas
A Lista Vermelha de Espécies de Angola, aprovada pelo Decreto Executivo n.º 252/18, representa um passo fundamental no reconhecimento oficial da crise de biodiversidade que afecta o território nacional. Angola é um dos países africanos com maior diversidade biológica, incluindo um número excepcional de endemismos nas suas escarpas e florestas afromontanas, mas permanece um dos menos estudados e protegidos do continente.
A análise da lista revela padrões claros: a caça furtiva e o tráfico ilegal são as ameaças mais transversais para a fauna; a exploração florestal insustentável afecta criticamente a flora; e a fragmentação do habitat amplifica todas as outras ameaças ao isolar populações e reduzir a resiliência dos ecossistemas. As espécies já extintas em Angola como o Rinoceronte Preto, a Hiena Castanha e o Pinguim Africano, são o testemunho do custo de décadas de ausência de governança e protecção ambiental efectiva.
Para que a Lista Vermelha cumpra plenamente o seu propósito, é necessário:
- Investimento contínuo em inventariação científica, especialmente em grupos taxonómicos sub-amostrados (fungos, invertebrados, roedores);
- Criação e gestão efectiva de novas áreas protegidas, em particular nas zonas de escarpa e floresta afromontana do norte de Angola;
- Reforço dos mecanismos de combate à caça furtiva e ao tráfico de espécies, incluindo cooperação regional e internacional;
- Actualização da lista nos prazos legais previstos (cinco anos), incorporando os dados das expedições científicas realizadas desde 2018;
- Integração da Lista Vermelha nos processos de licenciamento ambiental, avaliação de impacte e ordenamento do território.
A biodiversidade de Angola não é apenas um bem nacional, mas tabém um patrimônio da humanidade que Angola tem a responsabilidade de proteger e transmitir às gerações futuras.
Referências
UICN. Categorias e Critérios da Lista Vermelha da UICN: Versão 3.1. 2. ed. Gland, Suíça; Cambridge, Reino Unido: International Union for Conservation of Nature, 2012. Disponível em: https://nc.iucnredlist.org/redlist/content/attachment_files/Portuguese__Categories_Criteria_v3.1_2ndEd.pdf. Acesso em: 30 abr. 2026.
UICN. Red List Guidelines – Versão Portuguesa. Gland, Suíça: International Union for Conservation of Nature, 2025. Disponível em: https://nc.iucnredlist.org/redlist/content/attachment_files/Red_List_Guidelines_v16_PORTUGUES_20250326.pdf. Acesso em: 6 maio 2026.
ANGOLA. Ministério do Ambiente. Decreto Executivo n.º 252/18, de 13 de Julho: Aprova a Lista Vermelha das Espécies de Angola. Diário da República, Luanda, 2018. Disponível em: https://c2a.portais.gov.ao/uploads/Decreto_Executivo_n_252_18_Aprova_a_Lista_Vermelha_das_Especies_de_Angola_f53b601ad9.pdf. Acesso em: 2 maio 2026.
CBD – CONVENTION ON BIOLOGICAL DIVERSITY. Recommendations of SBSTTA-21. Montreal, 2017. Disponível em: https://www.cbd.int/recommendations/sbstta?m=sbstta-21. Acesso em: 4 maio 2026.
ANGOLA. Instituto Nacional da Biodiversidade e Áreas de Conservação (INBAC). Estratégia e Plano de Acção Nacional para a Biodiversidade. Luanda, s.d. Disponível em: https://inbac.gov.ao/assets_admin/images/documento/97760aba6846d5a03d979ff5740913b0.pdf. Acesso em: 1 maio 2026.
CBD – CONVENTION ON BIOLOGICAL DIVERSITY. National Biodiversity Strategy and Action Plan of Angola. Montreal, 2006. Disponível em: https://www.cbd.int/doc/world/ao/ao-nbsap-01-pt.pdf. Acesso em: 7 maio 2026.
NATIONAL RED LIST PROJECT. National Red List Database. [S.l.], s.d. Disponível em: https://www.nationalredlist.org/. Acesso em: 29 abr. 2026.
NATIONAL RED LIST PROJECT. Assessments Database. [S.l.], s.d. Disponível em: https://www.nationalredlist.org/assessments?field_scope_assessment=All. Acesso em: 5 maio 2026.
SADC – SOUTHERN AFRICAN DEVELOPMENT COMMUNITY. SADC Law Enforcement and Anti-Poaching Strategy. Gaborone, 2021. Disponível em: https://www.sadc.int/sites/default/files/2021-11/SADC_Law_Enforcement_and_Anti-Poaching_Strategy-Portuguese.pdf. Acesso em: 3 maio 2026.
N-C-E. Carnivore Red Data Book: Brown Hyaena Species Account. [S.l.], s.d. Disponível em: https://n-c-e.org/wp-content/uploads/Carnivore-Red-Data-Book-species-account-brown-hyaena.pdf. Acesso em: 8 maio 2026.
WILDER. Os já ameaçados pinguins africanos estão a cair numa armadilha ecológica. Lisboa, 2024. Disponível em: https://wilder.pt/historias/os-ja-ameacados-pinguins-africanos-estao-a-cair-numa-armadilha-ecologica. Acesso em: 30 abr. 2026.
ECOANGOLA. Angola reforça combate aos crimes ambientais com plano estratégico. Luanda, 2025. Disponível em: https://ecoangola.com/angola-reforca-combate-aos-crimes-ambientais-com-plano-estrategico/. Acesso em: 6 maio 2026.
LAGES, F. et al. Listas Vermelhas e os Métodos da IUCN: história, conceito, síntese actual e aplicações regionais. [S.l.], 2023. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/372190462_Listas_Vermelhas_e_os_Metodos_da_IUCN_historia_conceito_sintese_atual_e_aplicacoes_regionais. Acesso em: 2 maio 2026.








