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Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas de Angola

Feliciano Ginga, Luiana Guerra e David Nahenda by Eco Angola

A Lista Vermelha da UICN — União Internacional para a Conservação da Natureza — é o inventário mais completo e reconhecido internacionalmente sobre o estado de conservação das espécies do planeta. Criada em 1964, é hoje considerada o mais importante instrumento científico disponível para orientar decisões de conservação da biodiversidade a nível mundial, regional e Nacional. A sua base de dados reúne avaliações realizadas por uma rede de mais de 10.000 especialistas distribuídos pelo mundo, na qual constam mais de 150.000 espécies, sendo cerca de 42.000 ameaçadas.

Um rinoceronte-negro (Diceros bicornis) faz o seu caminho através do Parque Nacional de Etosha, Namíbia. Espécie já extinta em Angola. De oeco, 2012

A Lista Vermelha não se limita a identificar espécies em risco imediato de extinção. O seu valor científico reside na quantificação rigorosa do risco, com base em critérios mensuráveis e reproduzíveis, permitindo comparações ao longo do tempo, entre países e entre grupos taxonómicos.

Quando um governo adopta e adapta o sistema ao seu contexto nacional, como Angola o fez através do Decreto Executivo n.º 252/18, de 13 de Julho de 2018, a Lista Vermelha torna-se também um instrumento de política ambiental e um fundamento legal para a protecção de espécies. Em Angola, a Lista Vermelha Nacional foi criada reconhecendo as obrigações impostas pela Convenção sobre a Diversidade Biológica (CDB), pela Convenção CITES sobre o comércio de espécies ameaçadas, e pela Estratégia e Plano de Acção Nacional para a Biodiversidade (Resolução n.º 42/06), e funciona como um pilar fundamental que articula a fundamentação científica para a gestão de recursos com a identificação de áreas e espécies de elevada importância, servindo de guia para as políticas de protecção e o ordenamento do território. Para além disso, esta ferramenta sensibiliza a sociedade e os parceiros internacionais para a urgência da crise da biodiversidade, permitindo monitorizar a eficácia das acções de conservação ao longo do tempo e garantir que os compromissos assumidos em tratados internacionais sejam devidamente respeitados.

Critérios e categorias das Lista Vermelhas

A elaboração de uma Lista Vermelha segue uma metodologia rigorosa e padronizada pela UICN, cujo objectivo é aumentar a objectividade e transparência na avaliação do estado de conservação das espécies. A avaliação assenta na recolha sistemática de informação científica — registos históricos, estudos populacionais, dados de habitat e modelos de distribuição geográfica — sendo determinadas duas métricas espaciais fundamentais: a Extensão de Ocorrência (EOO), que delimita o polígono geográfico total da espécie, e a Área de Ocupação (AOO), que quantifica o habitat efectivamente utilizado dentro desse limite. Com base nestes dados, os especialistas aplicam cinco critérios quantitativos — A, B, C, D e E — que avaliam aspectos como redução populacional, restrição geográfica, tamanho da população e probabilidade de extinção. Uma espécie é classificada na categoria mais elevada para a qual satisfaça pelo menos um critério, e cada avaliação é submetida a revisão independente por especialistas. 

O sistema da UICN define nove categorias: Extinto (EX), quando não há dúvida razoável de que o último indivíduo morreu; Extinto na Natureza (EW), quando os últimos indivíduos sobrevivem apenas em cativeiro ou cultivo; Criticamente em Perigo (CR), Em Perigo (EN) e Vulnerável (VU), que reflectem graus crescentemente menores de risco de extinção — sendo os três designados colectivamente como “ameaçados”; Quase Ameaçado (NT), para espécies próximas de atingir um limiar de ameaça; Menos Preocupante (LC), para as restantes espécies avaliadas; e ainda Dados Insuficientes (DD) e Não Avaliado (NE), que não reflectem o grau de ameaça mas sim o estado do conhecimento científico disponível. 

Em Angola, a Lista Vermelha foi aprovada pelo Decreto Executivo n.º 252/18, organiza as espécies em quatro categorias: A, B, C e D, no entanto, vale realçar que o sistema de categorias adoptado em Angola, segue uma estrutura simplificada adaptada à realidade e capacidade institucional do país, não sendo estritamente conforme recomendado pela UICN (ver tabela abaixo). O National Red List Project (Projecto Lista Vermelha Nacional) (base de dados internacional das listas vermelhas nacionais), classifica oficialmente os critérios angolanos como “Non-IUCN” (Não-UICN), reconhecendo a sua validade científica enquanto instrumento nacional, mas assinalando que os limiares quantitativos diferem dos critérios globais.

Tabela de Espécies
Categoria Designação Definição
A — Extinta (Ex) Espécie Extinta Refere-se a extinções em território angolano e não necessariamente extinções globais.
B — Ameaçada (AEx) Ameaçada de Extinção Diversos factores ameaçam seriamente a existência da espécie, dificultando a sua reprodução ou regeneração natural, reduzindo populações abaixo de níveis sustentáveis.
C — Vulnerável (Vu) Espécie Vulnerável Engloba um espectro mais amplo do que o equivalente IUCN, sendo aplicável quando a espécie enfrenta pressões humanas significativas no território Nacional, mas ainda não críticas.
D — Invasora (Exo) Espécie Invasora Espécie que não ocorre naturalmente ou foi introduzida no território nacional, podendo constituir ameaça à biodiversidade nativa.

A UICN recomenda que todas as espécies sob a jurisdição de cada país sejam avaliadas correctamente de acordo com as Categorias e Critérios da Lista Vermelha da UICN, pelo menos uma vez a cada dez anos e, se possível, a cada cinco anos. As avaliações com mais de dez anos são assinaladas como “mais de 10 anos”, indicando a necessidade de actualização.

Angola é distinguida como sendo um dos poucos países no mundo que, recentemente (nos últimos 10 anos), actualizou sua lista de espécies ameaçadas, no Projecto Lista Vermelha Nacional da UICN, Não obstante a distinção, o INBAC, reconhece a necessidade de se iniciar os preparativos para a actualização da Lista Vermelha Nacional, pois a mesma completará 10 anos e 2028.

Disponibilidade atual de avaliações de espécies a nível subglobal carregadas na Base de Dados Nacional da Lista Vermelha (NRLD).

Lista vermelha de Angola

Categoria A — Espécies Extintas em Angola

A Categoria A identifica espécies com histórico documentado de ocorrência natural em território angolano actualmente extintas a nível nacional. Esta categoria não implica necessariamente extinção global, embora todos os casos listados correspondam a espécies globalmente ameaçadas ou com declínios dramáticos.

Rinoceronte preto (Diceros bicornis), hiena-castanha (Parahyaena brunnea, anteriormente Hyaena brunnea) a esquerda e pinguim do Cabo (Spheniscus demersus) a direita. Fonte: ismaeljsnature (2012); animalia.bio (S.D.); oeco, 2012

Tabela de Espécies
Nome Vulgar Nome Científico Contexto e Causas Prováveis de Extinção Local
Rinoceronte Preto Diceros bicornis Extinto em Angola nas décadas de 1970–1990 devido à caça furtiva intensiva para obtenção do corno, agravada pelas perturbações do conflito armado. Criticamente Ameaçado a nível global (4.323 indivíduos restantes em África). Ocorreu nas savanas e florestas abertas do sul de Angola.
Hiena Castanha Hyaena brunnea Presença histórica documentada no sul de Angola (Namibe e Cunene). Extinta ou com ocorrência extremamente rara no território. Globalmente Quase Ameaçada (< 10.000 ind.). Perseguição directa como predador de gado e pressão sobre presas selvagens são as causas principais do desaparecimento local.
Pinguim do Cabo (Africano) Spheniscus demersus Colonizou historicamente ilhas e costas do sul de Angola (Ilha dos Tigres). Extinção local causada pela sobrepesca industrial, perturbação dos locais de nidificação e poluição por hidrocarbonetos. Ameaçado de Extinção a nível global; população global diminuiu mais de 60% nas últimas três décadas.

As extinções locais são os primeiros sinais de alerta. Antes de uma espécie desaparecer do planeta, desaparece de região em região.

Categoria B — Espécies Ameaçadas de Extinção

A Categoria B inclui espécies cujos factores de ameaça comprometem seriamente a reprodução ou regeneração natural, levando populações abaixo de níveis sustentáveis. Segue a lista completa abaixo, conforme o Decreto Executivo n.º 252/18.

Mamíferos — 19 espécies
Tabela de Espécies
Nome Vulgar Nome Científico Contexto e Causas Prováveis de Extinção Local
Mabeco Lycaon pictus Caça furtiva de animais que consome
Hiena-malhada Crocuta crocuta Caça furtiva de animais que consome
Protelo Proteles cristatus Caça furtiva de animais que consome
Leão Panthera leo Caça furtiva de animais que consome
Chita Acinonyx jubatus Caça furtiva de animais que consome
Zebra de Montanha Equus zebra hartmannae Caça furtiva
Gorila Gorilla gorilla Caça furtiva
Pacaça (Búfalo vermelho) Syncerus caffer nanus Caça furtiva
Cabra do mato comum Sylvicapra grimmia Caça furtiva
Chimpanzé Pan troglodytes Caça furtiva
Manatim africano Trichechus senegalensis Pesca ilegal e degradação do habitat
Macaco de Brazza Cercopithecus neglectus Caça furtiva
Colobo Colobus angolensis Caça furtiva
Palanca Negra Gigante Hippotragus niger variani Caça furtiva
Raposa das areias Vulpes chama Caça furtiva de animais que consome
Suricata Suricata suricatta Caça furtiva
Búfalo Syncerus caffer caffer Caça furtiva e fragmentação do habitat
Girafa de Angola Giraffa camelopardalis angolensis Caça furtiva
Babuíno (Macaco cão) Papio ursinus Caça furtiva e fragmentação do habitat

Répteis — 1 espécie

Tabela de Espécies
Nome Vulgar Nome Científico Ameaça Principal
Tartaruga de Couro Dermochelys coriacea Destruição dos ninhos e captura indirecta

Aves — 7 espécies

Tabela de Espécies
Nome Vulgar Nome Científico Ameaça Principal
Tordo-da-furnas Xenocopsychus ansorgei Endémica, fragmentação do habitat
Cinzentinho Estrilda thomensis Endémica, fragmentação do habitat
Garça de Garganta-Vermelha Egretta vinaceigula Causas desconhecidas
Grou Coroado Balearica regulorum Causas desconhecidas
Papagaio-cinzento Psittacus erithacus Caça furtiva para domesticação
Grou Carunculado Bugeranus carunculatus Causas desconhecidas
Garça de Barriga-Vermelha Ardeola rufiventris Causas desconhecidas
Tordo-da-furnas
Papagaio cinzento
Ameaçadas de extinção
Garça de barriga-vermelha
Peixes — 3 espécies
Tabela de Espécies
Categoria Designação Definição
Raia Manta Manta birostris Pressão da pesca ilegal
Tubarão Azul Prionace glauca Pressão da pesca ilegal
Tubarão Tigre Galeocerdo cuvier Pressão da pesca ilegal
Categoria C — Espécies Vulneráveis

A Categoria C reúne espécies cuja actividade humana ameaça a existência em território nacional. É a categoria com maior número de espécies listadas, abrangendo mamíferos, aves, répteis, crustáceos, cetáceos, peixes, insectos e vegetais. Segue abaixo a lista completa, conforme o Decreto Executivo n.º 252/18.

Mamíferos — 18 espécies
Tabela de Espécies
Nome Vulgar Nome Científico Ameaça Principal
Babuíno-cinzento Papio ursinus Fragmentação do habitat
Babuíno amarelo Papio cynocephalus Fragmentação do habitat
Chacal de flancos raiados Canis adustus Caça furtiva de animais que consome
Chacal de dorso preto Canis mesomelas Caça furtiva de animais que consome
Raposa orelhuda Otocyon megalotis Caça furtiva de animais que consome
Ratel Mellivora capensis Caça furtiva
Lontra castanha Lutra maculicollis Caça furtiva
Civeta Civettictis civetta Caça furtiva
Gato bravo Felis silvestris Caça furtiva de animais que consome
Serval Leptailurus serval Caça furtiva de animais que consome
Caracal Felis caracal Caça furtiva de animais que consome
Leopardo Panthera pardus Caça furtiva de animais que consome
Pangolim Vulgar Manis temminckii Fragmentação do habitat
Gimbo Orycteropus afer Fragmentação do habitat
Elefante de Savana Loxodonta africana africana Caça furtiva e fragmentação do habitat
Elefante de Floresta Loxodonta africana cyclotis Caça furtiva e fragmentação do habitat
Zebra de planície Equus burchellii Caça furtiva
Pangolim da Floresta Manis tetradactyla Caça furtiva
Gimbo (Orycteropus afer)
Serval (Leptailurus serval)
Aves — 31 espécies

A maioria das aves vulneráveis listadas são estritamente endêmicas de Angola. A fragmentação do habitat é a ameaça dominante neste grupo.

Tabela de Espécies
Nome Vulgar Nome Científico Ameaça Principal
Olho-de-curuncula de testa branca Platysteira albifrons Endémica, fragmentação do habitat
Perdiz de Estrias cinzentas Francolinus griseostriatus Endémica, fragmentação do habitat
Perdiz de Montanhas Francolinus swierstrai Endémica, fragmentação do habitat
Ândua de Crista Vermelha Tauraco erythrolophus Endémica, fragmentação do habitat
Rabo de Junco de Rabadilha vermelha Colius castanotus Endémica, fragmentação do habitat
Tordito da Gabela Sheppardia gabela Endémica, fragmentação do habitat
Tordo-da-furnas Xenocopsychus ansorgei Endémica, fragmentação do habitat
Rouxinol de Pulitzer Macrosphenus pulitzeri Endémica, fragmentação do habitat
Papa-moscas de Angola Melaenornis brunneus Endémica, fragmentação do habitat
Altador-de-poupa de Gabela Prionops gabela Endémica, fragmentação do habitat
Zomboteiro de Damaralandia Phoeniculus damarensis Endémica, Deserto do Namibe
Bico de Serra vermelha Tockus damarensis Endémica, fragmentação do habitat
Bico de Serra Monteiro's Tockus monteiri Endémica, Deserto do Namibe
Cotovia Angolana Mirafa angolensis Espécie endémica
(s/n vulgar) Ammomanopsis grayi Endémica, fragmentação do habitat
Cotovia de bico comprido Certhilauda benguelensis Endémica, fragmentação do habitat
Unha longa de Grimwood Macronyx grimwoodi Endémica, fragmentação do habitat
(s/n vulgar) Parus carpi Endémica, fragmentação do habitat
Chiricuata de cabanis Phyllastrephus cabanisi Endémica, fragmentação do habitat
(s/n vulgar) Namibornis herero Endémica, fragmentação do habitat
(s/n vulgar) Cisticola luapula Endémica, fragmentação do habitat
Boita de ansorge Cisticola rufilatus Endémica, fragmentação do habitat
(s/n vulgar) Cisticola dambo Endémica, fragmentação do habitat
Papa-moscas de Bohm Muscicapa boehmi Endémica, fragmentação do habitat
Papa-mosca fuliginoso Muscicapa infuscata Endémica, fragmentação do habitat
Batis de Angola Batis minulla Endémica, fragmentação do habitat
Picanço Pairador Lanioturdus torquatus Endémica, fragmentação do habitat
Tecelão de Bocage Ploceus temporalis Endémica, fragmentação do habitat
Cor de Cinza Euschistospiza cinereovinacea Endémica, fragmentação do habitat
Avestruz Struthio camelus Caça furtiva / captura para domesticação
Répteis — 10 espécies
Tabela de Espécies
Nome Vulgar Nome Científico Ameaça Principal
Tartaruga Oliva Lepidochelys olivacea Destruição dos ninhos e captura indirecta
Tartaruga cabeçuda Caretta caretta Captura indirecta e poluição marinha
Tartaruga Verde Chelonia mydas Destruição dos ninhos e captura indirecta
Tartaruga de Pente Eretmochelys imbricata Captura indirecta e poluição marinha
Tartaruga (Cágado) de dobradiças de Bell Kinixys belliana Degradação do habitat
Crocodilo Crocodylus niloticus Caça furtiva de animais que consome
Crocodilo de focinho ponteagudo africano Mecistops cataphractus Caça furtiva de animais que consome
Cágado de lama Negra da África Oriental Pelusios subniger subniger Degradação do habitat
Cágado de dobradiças serrilhadas Pelusios sinuatus Degradação do habitat
Jibóia Boa sp. Caça furtiva e fragmentação do habitat
Cachalote-anão (Kogia sima)
Cágado de dobradiças de Bell (Kinixys belliana)
Tartaruga de cabeçuda (Caretta caretta)
Crustáceos — 1 espécie
Tabela de Espécies
Nome Vulgar Nome Científico Ameaça Principal
Caranguejo de Profundidade Chaceon maritae Pesca ilegal
Cetáceos — 6 espécies
Tabela de Espécies
Nome Vulgar Nome Científico Ameaça Principal
Baleia Azul Balaenoptera musculus Poluição e encalhamento
Cachalote-anão Kogia sima Poluição e encalhamento
Falsa-orca Pseudorca crassidens Poluição e encalhamento
Baleia de Bossa Megaptera novaeangliae Poluição e encalhamento
Baleia Sardinheira Balaenoptera borealis Poluição e encalhamento
Golfinho Comum Delphinus delphis Poluição e pesca ilegal
Cachalote-anão (Kogia sima)
Peixes — 4 espécies
Tabela de Espécies
Nome Vulgar Nome Científico Ameaça Principal
Carapau Decapterus punctatus Pesca ilegal
Dentão Dentex angolensis Pesca ilegal
Savelha, Galucha e Ouilucha Ethmalosa fimbriata Pesca ilegal
Linguado Arnoglossus capensis Pesca ilegal
Insectos — 4 espécies
Tabela de Espécies
Nome Vulgar Nome Científico Ameaça Principal
Salalé (Termites) Macrotermes subhyalinus Exploração ou captura insustentáveis
Zitsombe (larva) Rhynchophorus phoenicis Exploração ou captura insustentáveis
Angola Sparklewing Umma femina Espécie endémica
Angola Jewel Chlorocypha crocea Espécie endémica
Vegetais — 30 espécies

A grande maioria das espécies vegetais vulneráveis está ameaçada pela exploração florestal comercial insustentável. Várias são espécies madeireiras de alto valor económico global.

Tabela de Espécies
Nome Vulgar Nome Científico Ameaça Principal
Moreira Chlorophora excelsa Exploração insustentável
Munguba Entandrophragma utile Exploração insustentável
Muanza Albizia glaberrima Exploração insustentável
Undianuno / Kibaba Khaya anthotheca Exploração insustentável
Tacula Pterocarpus angolensis Exploração insustentável
Ako Antiaris welwitschii Exploração insustentável
Longui Gambeva africana Exploração insustentável
Mafumeira Ceiba pentandra Exploração insustentável
Tola-Chifuta Oxystigma oxyphyllum Exploração insustentável
Xinga-Xinca / Muazanza Piptadeniastrum africanum Exploração insustentável
Munguela Ricinodendron heudelotii Exploração insustentável
Imbondeiro Adansonia digitata Urbanização e industrialização
Kitiba Entandrophragma angolensis Exploração insustentável
Ebano Diospyros mespiliformis Exploração insustentável
Pau-ferro Caesalpinia leostachya Exploração insustentável
Pau-preto Dalbergia latifolia Exploração insustentável
Sândalo africano Santalum album Exploração insustentável
Mogno Khaya sp. Exploração insustentável
Kungulo-Mukungulo Autranella congolensis Exploração insustentável
Mupanda Brachystegia apiciformis Exploração insustentável
Welwitschia Welwitschia mirabilis Sobrepastoreio
Mucumbi-Kumbi Lannea welwitschii Exploração insustentável
N'Dulu-Ako Antiaris welwitschii Exploração insustentável
Kababa-Ohia Celtis mildbraedii Exploração insustentável
Os mangais (todas as espécies) R. Mucronata / B. gymnorrhiza Abate indiscriminado e poluição química
Nfumbua Gnetum africanum Exploração insustentável
Makakata Harpagophytum procumbens Exploração insustentável
Palmeiras Nativas — Urbanização e exploração de inertes e seiva
Pau de Cabinda Pausinystalia macroceras Exploração insustentável
Pau-Rosa Swartzia fistuloide Exploração insustentável
Categoria D — Espécies Invasoras

A Categoria D identifica espécies que não ocorrem naturalmente em Angola ou foram introduzidas no território nacional, constituindo uma ameaça directa à biodiversidade nativa ao competirem com espécies autóctones, alterarem os regimes de fogo, infestarem cursos de água ou eliminarem o estrato herbáceo. Angola regista oficialmente 18 espécies invasoras — 1 peixe e 17 vegetais.

Tabela de Espécies
Nome Vulgar Nome Científico Comportamento Invasor
Cacusso Tilapia sp. Fora do seu habitat natural, reproduz-se rapidamente e elimina as espécies piscícolas nativas dos sistemas de água doce.
Vegetais — 17 espécies

A grande maioria das espécies invasoras vegetais registadas em Angola são plantas cosmopolitas de rápida dispersão que dominam habitats perturbados, marginais e degradados.

Tabela de Espécies
Nome Vulgar Nome Científico Áreas Invadidas
Cromolena Chromolaena odorata Clareiras de florestas, bermas de estradas, savanas e cursos de água
— Solanum mauritianum Margens das florestas, bermas de estradas e arredores de povoações
Camará / Cambara / Camará-de-Cheiro Lantana camara Savanas, bermas de estradas e margens das florestas, arredores de povoações
Mamona / Mamoneira Ricinus communis Cursos de água, zonas húmidas e bermas de estradas
Jacintos de água Eichhomia crassipes Cursos de água, zonas húmidas e canais de irrigação
Prosopis Prosopis glandulosa Meio urbano e espaços verdes — domina quase todas as áreas
Figo-do-diabo / Opúncia Opuntia stricta Zonas áridas e arenosas — especialmente escarpa sul
— Calotropis gigantea Bermas de estradas, margens de aldeias e campos cultivados
Acácia Acacia saligna Elimina o estrato herbáceo à sua volta em zonas perturbadas
Inga pequeno Inga vera Zonas áridas e arenosas — especialmente norte e centro
Leucena Leucaena leucocephala Zonas áridas e arenosas — rápida colonização de solo degradado
Erva-de-São João Ageratum conyzoides Bermas de estradas, margens de aldeias e campos cultivados
Picão-bravo / Botão de Ouro Galinsoga parviflora Bermas de estradas, margens de aldeias e campos cultivados
Erva-de-touro Tridax procumbens Bermas de estradas, margens de aldeias e campos cultivados
Cardo Santo Argemone mexicana Cosmopolita — domina quase todas as áreas perturbadas
Cana-do-reino Arundo donax Campos cultivados, bermas de estradas, margens de rios
Margaridão / Girassol mexicano Tithonia diversifolia Bermas de estradas, margens de aldeias e campos cultivados
Mamona (Ricinus communis )
Margeridão (Tithonia diversifolia)
Calotropis gigantea

Conclusão e Perspectivas

A Lista Vermelha de Espécies de Angola, aprovada pelo Decreto Executivo n.º 252/18, representa um passo fundamental no reconhecimento oficial da crise de biodiversidade que afecta o território nacional. Angola é um dos países africanos com maior diversidade biológica, incluindo um número excepcional de endemismos nas suas escarpas e florestas afromontanas, mas permanece um dos menos estudados e protegidos do continente.

A análise da lista revela padrões claros: a caça furtiva e o tráfico ilegal são as ameaças mais transversais para a fauna; a exploração florestal insustentável afecta criticamente a flora; e a fragmentação do habitat amplifica todas as outras ameaças ao isolar populações e reduzir a resiliência dos ecossistemas. As espécies já extintas em Angola como o Rinoceronte Preto, a Hiena Castanha e o Pinguim Africano, são o testemunho do custo de décadas de ausência de governança e protecção ambiental efectiva.

Realidade comum nas estradas nacionais de Angola. Fonte: EcoAngola 2025

Para que a Lista Vermelha cumpra plenamente o seu propósito, é necessário:

  • Investimento contínuo em inventariação científica, especialmente em grupos taxonómicos sub-amostrados (fungos, invertebrados, roedores);
  • Criação e gestão efectiva de novas áreas protegidas, em particular nas zonas de escarpa e floresta afromontana do norte de Angola;
  • Reforço dos mecanismos de combate à caça furtiva e ao tráfico de espécies, incluindo cooperação regional e internacional;
  • Actualização da lista nos prazos legais previstos (cinco anos), incorporando os dados das expedições científicas realizadas desde 2018;
  • Integração da Lista Vermelha nos processos de licenciamento ambiental, avaliação de impacte e ordenamento do território.

A biodiversidade de Angola não é apenas um bem nacional, mas tabém um patrimônio da humanidade que Angola tem a responsabilidade de proteger e transmitir às gerações futuras.

 

Referências

UICN. Categorias e Critérios da Lista Vermelha da UICN: Versão 3.1. 2. ed. Gland, Suíça; Cambridge, Reino Unido: International Union for Conservation of Nature, 2012. Disponível em: https://nc.iucnredlist.org/redlist/content/attachment_files/Portuguese__Categories_Criteria_v3.1_2ndEd.pdf. Acesso em: 30 abr. 2026.

UICN. Red List Guidelines – Versão Portuguesa. Gland, Suíça: International Union for Conservation of Nature, 2025. Disponível em: https://nc.iucnredlist.org/redlist/content/attachment_files/Red_List_Guidelines_v16_PORTUGUES_20250326.pdf. Acesso em: 6 maio 2026.

ANGOLA. Ministério do Ambiente. Decreto Executivo n.º 252/18, de 13 de Julho: Aprova a Lista Vermelha das Espécies de Angola. Diário da República, Luanda, 2018. Disponível em: https://c2a.portais.gov.ao/uploads/Decreto_Executivo_n_252_18_Aprova_a_Lista_Vermelha_das_Especies_de_Angola_f53b601ad9.pdf. Acesso em: 2 maio 2026.

CBD – CONVENTION ON BIOLOGICAL DIVERSITY. Recommendations of SBSTTA-21. Montreal, 2017. Disponível em: https://www.cbd.int/recommendations/sbstta?m=sbstta-21. Acesso em: 4 maio 2026.

ANGOLA. Instituto Nacional da Biodiversidade e Áreas de Conservação (INBAC). Estratégia e Plano de Acção Nacional para a Biodiversidade. Luanda, s.d. Disponível em: https://inbac.gov.ao/assets_admin/images/documento/97760aba6846d5a03d979ff5740913b0.pdf. Acesso em: 1 maio 2026.

CBD – CONVENTION ON BIOLOGICAL DIVERSITY. National Biodiversity Strategy and Action Plan of Angola. Montreal, 2006. Disponível em: https://www.cbd.int/doc/world/ao/ao-nbsap-01-pt.pdf. Acesso em: 7 maio 2026.

NATIONAL RED LIST PROJECT. National Red List Database. [S.l.], s.d. Disponível em: https://www.nationalredlist.org/. Acesso em: 29 abr. 2026.

NATIONAL RED LIST PROJECT. Assessments Database. [S.l.], s.d. Disponível em: https://www.nationalredlist.org/assessments?field_scope_assessment=All. Acesso em: 5 maio 2026.

SADC – SOUTHERN AFRICAN DEVELOPMENT COMMUNITY. SADC Law Enforcement and Anti-Poaching Strategy. Gaborone, 2021. Disponível em: https://www.sadc.int/sites/default/files/2021-11/SADC_Law_Enforcement_and_Anti-Poaching_Strategy-Portuguese.pdf. Acesso em: 3 maio 2026.

N-C-E. Carnivore Red Data Book: Brown Hyaena Species Account. [S.l.], s.d. Disponível em: https://n-c-e.org/wp-content/uploads/Carnivore-Red-Data-Book-species-account-brown-hyaena.pdf. Acesso em: 8 maio 2026.

WILDER. Os já ameaçados pinguins africanos estão a cair numa armadilha ecológica. Lisboa, 2024. Disponível em: https://wilder.pt/historias/os-ja-ameacados-pinguins-africanos-estao-a-cair-numa-armadilha-ecologica. Acesso em: 30 abr. 2026.

ECOANGOLA. Angola reforça combate aos crimes ambientais com plano estratégico. Luanda, 2025. Disponível em: https://ecoangola.com/angola-reforca-combate-aos-crimes-ambientais-com-plano-estrategico/. Acesso em: 6 maio 2026.

LAGES, F. et al. Listas Vermelhas e os Métodos da IUCN: história, conceito, síntese actual e aplicações regionais. [S.l.], 2023. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/372190462_Listas_Vermelhas_e_os_Metodos_da_IUCN_historia_conceito_sintese_atual_e_aplicacoes_regionais. Acesso em: 2 maio 2026.

Feliciano Ginga, Luiana Guerra e David Nahenda

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A biodiversidade, ou diversidade biológica, é descrita como a riqueza e a variedade de todas as formas de vida, incluindo os genes contidos em cada indivíduo e a composição dos diversos ecossistemas, onde a existência ou eliminação de uma espécie afecta directamente muitas outras (WWF, 2020).

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