O Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INAMET) divulgou, no dia 23 de Setembro de 2026, a previsão climática sazonal para a época chuvosa 2026/2027, referente aos períodos de Outubro, Novembro e Dezembro (OND) de 2026 e Janeiro, Fevereiro e Março (JFM) de 2027.
De acordo com o comunicado, a época chuvosa de 2026/2027 poderá trazer realidades bastante diferentes para várias regiões de Angola; enquanto o Sul e o Sudeste poderão enfrentar chuvas abaixo da média e situações de seca meteorológica, o Litoral poderá registar precipitação acima do normal e episódios de excesso de chuva.
Seca no cunene: Fonte: Correio da Kianda
Inundações em Angola. Fonte: Diário Económico.
A previsão para Outubro a Dezembro de 2026
Para o período entre Outubro e Dezembro de 2026, o INAMET prevê chuvas acima da média climatológica em grande parte do Norte e do Litoral, abrangendo Cabinda, Zaire, Icolo e Bengo, Bengo, Luanda, Uíge, Cuanza Norte, Cuanza Sul, Malanje, Lunda Norte, Lunda Sul e Benguela, além de partes do Namibe, Huambo e Bié.
Em sentido contrário, estão previstas chuvas abaixo da média no Cunene, Cubango, Cuando e no Sul das províncias do Moxico e Moxico Leste. Nestas áreas, existe probabilidade de ocorrência de seca meteorológica de intensidade moderada.
Previsão Sazonal com base nos modelos climáticos e análise científica (b) para o trimestre de Outubro, Novembro e Dezembro (OND) de 2026. Fonte: INAMET.
A previsão para Janeiro a Março de 2027
De acordo com o comunicado, o cenário torna-se particularmente importante no primeiro trimestre de 2027, particularmente as regiões Sul, Sudeste, Centro-Leste e Nordeste poderão registar chuvas abaixo da média, incluindo áreas da Lunda Sul, Moxico, Moxico Leste, Cuando, Cunene, Cubango, Lunda Norte e Bié, sendo que a previsão aponta para a possibilidade de seca meteorológica de intensidade moderada a severa.
Ao mesmo tempo, grande parte do Litoral poderá enfrentar a situação oposta: chuvas acima da média e probabilidade de excesso de precipitação, incluindo Cabinda, Zaire, Bengo, Luanda, Icolo e Bengo, Benguela e partes do Uíge, Cuanza Norte, Cuanza Sul, Huíla, Namibe e Huambo.
Previsão Sazonal com base nos modelos climáticos e análise científica (b) para o trimestre de Janeiro, Fevereiro e Março (JFM) de 2027. Fonte: INAMET.
Como o El Niño e o Atlântico poderão influenciar Angola
Um dos aspectos mais relevantes desta previsão é a análise feita pelo INAMET sobre os sistemas climáticos que poderão influenciar a época chuvosa. O Instituto analisou dez índices climáticos de variabilidade interanual e interdecadal, incluindo diferentes índices associados ao El Niño, bem como indicadores relacionados com os oceanos Atlântico e Índico.
Os resultados apontam para a influência de dois grandes sistemas climáticos: o fenómeno El Niño e o Índice do Atlântico Sul Tropical (TSA). De acordo com a análise do INAMET, o El Niño poderá favorecer condições de seca meteorológica principalmente no Sul e Sudeste de Angola, enquanto a fase positiva do Índice do Atlântico Sul Tropical poderá favorecer excesso de chuva no Litoral.
Para Janeiro, Fevereiro e Março de 2027, o INAMET refere ainda que o El Niño é previsto com intensidade “muito forte” no seu local de origem, no Oceano Pacífico Tropical, favorecendo a probabilidade de seca meteorológica moderada a severa em algumas localidades de Angola.
Avaliação da influência dos índices climáticos na ocorrência da distribuição espacial do SPI (Standerd Precipitation Index) em Angola, sendo (a) o Modo Meridional do Atlântico (AMM); (b), (d), (e) e (f) os índices 3.4, 3, 1+2 e 4 do Fenómeno El Niño, respectivamente; (h) o Índice do Atlântico Norte Tropical (TNA); (i) o Índice do Atlântico Sul Tropical (TSA); (c) o Índice ENSO Multivariado (MEI V2); (g) o Índice Oceânico Relativo ao Niño (RONI); (j) o Índice do Modo do Índico (DMI). Fonte: INAMET.
O significado desta “previsão”
Uma previsão de chuva “acima da normal” não significa necessariamente que irá chover constantemente, da mesma forma que chuva “abaixo da normal” não significa ausência total de precipitação. O próprio INAMET alerta que os impactos dependerão da forma como a chuva se distribui ao longo do período. Por isso, esta informação deve servir sobretudo para antecipação e preparação.
No Sul e Sudeste, a possibilidade de défice de precipitação merece atenção particular devido aos potenciais efeitos sobre a disponibilidade de água, agricultura, pastagens e segurança alimentar. O próprio INAMET reconhece que a redução da precipitação e temperaturas mais elevadas podem diminuir a humidade do solo, aumentar o stress hídrico das plantas e afectar culturas essenciais.
Seca compromete a agricultura em Angola. Fonte: DW /// Inundação em Benguela, 2026. Fonte: Jornal de Angola.
No Litoral, por outro lado, períodos de precipitação elevada reforçam a necessidade de preparação para possíveis inundações, erosão, problemas de drenagem e impactos sobre infraestruturas e comunidades, sobretudo nas zonas mais vulneráveis.
Abordamos mais sobre os potenciais impactos numa discussão com Dr. Carlos Domingos Ndala Correia, Doutor em Meteorologia e Ciências Atmosféricas e investigador em alterações climáticas, que está disponível no no YouTube da EcoAngola
Previsão não é certeza mas é uma ferramenta de preparação
É importante lembrar que estamos perante uma previsão climática sazonal, e não uma previsão meteorológica diária. As condições atmosféricas continuam a evoluir e as previsões são actualizadas à medida que novos dados se tornam disponíveis.
O INAMET anunciou que fará a próxima actualização da previsão sazonal na segunda quinzena de Novembro de 2026 e continuará a monitorizar as condições climáticas. Caso ocorram alterações substanciais, deverão ser emitidos os respectivos avisos ou alertas climáticos e meteorológicos.
A EcoAngola reforça, por isso, a importância de acompanhar as informações e alertas oficiais do INAMET ao longo da época chuvosa. Uma previsão sazonal deve permitir-nos preparar melhor. Num país simultaneamente vulnerável à seca e a episódios de precipitação intensa, transformar informação climática em decisões antecipadas é uma das ferramentas mais importantes para reduzir riscos para as comunidades, os ecossistemas e a economia.
Comunicado Oficial Disponível para Download
COMUNICADO DE IMPRENSA Nº005 PREVISÃ_O DA EPOCA CHUVOSA 2026-2027
Nota Técnica - Previsão Sazonal B01_EPC26-27 (OND-JFM).
Fontes:
- COMUNICADO DE IMPRENSA Nº005/INAMET/2026 – DIVULGAÇÃO DA PREVISÃO SAZONAL DA ÉPOCA CHUVOSA 2026/2027
- Boletim Nº01-EPC26/27 – PROJECÇÃO PARA A ÉPOCA CHUVOSA 2026/2027 REFERENTE AOS PERÍODOS DE OUTUBRO, NOVEMBRO E DEZEMBRO (OND) DE 2026 E JANEIRO, FEVEREIRO E MARÇO (JFM) DE 2027 PARA TODO O TERRITÓRIO NACIONAL
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