O acrónimo ESG refere-se às seguintes palavras em inglês: Environmental, Social and Governance (Ambiental, Social e Governança), e consiste num conjunto de critérios que avalia como as empresas actuam para:
- Ambiental (E): Reduzir impactos ambientais, gerir recursos naturais de forma sustentável e contribuir para a mitigação das mudanças climáticas;
- Social (S): Promover condições de trabalho dignas, respeitar direitos humanos, investir no desenvolvimento das comunidades e fomentar diversidade e inclusão;
- Governança (G): Assegurar transparência, ética corporativa, prestação de contas e conformidade legal.
A integração de critérios ESG deixou de ser uma tendência opcional para se tornar uma exigência estratégica no mundo empresarial. A pressão por uma actuação mais responsável vem de todos os lados: dos investidores institucionais que buscam retornos sustentáveis a longo prazo, dos consumidores que preferem marcas com valores alinhados aos seus e cada vez mais preocupados com os desafios ambientais e sociais actuais, e dos reguladores que implementam novas directrizes para mitigar riscos ambientais e sociais.
Em Angola, este movimento começa a ganhar força. Longe de ser apenas uma questão de imagem ou peça de marketing (como muitas vezes é erradamente utilizado), a agenda ESG é uma ferramenta essencial para alinhar o crescimento económico com a responsabilidade social e ambiental, com um olhar que vai além do retorno financeiro. Num contexto em que se procura reduzir a dependência dos sectores tradicionais e atrair investimentos para novos sectores, as empresas que demonstram compromisso com a transparência e a sustentabilidade ganham vantagem. Tornam-se mais atractivas para o mercado global e para uma nova geração de talentos, posicionando-se não apenas como motores de lucro, mas também como agentes de transformação positiva para Angola.
Implementação dos critérios ESG em Angola
Esses critérios começaram a ser formalmente considerados como conceito global em 2004, quando a Organização das Nações Unidas (ONU) lançou o relatório “Who Cares Wins” (Ganha quem se importa). Esse documento, resultado de uma iniciativa com 20 instituições financeiras, incentivou empresas e investidores a considerarem o impacto ambiental, social e a qualidade da governança corporativa nas suas decisões. O propósito central era reduzir riscos e aumentar retornos sustentáveis, reconhecendo que empresas com boas prácticas ESG tendem a ser mais resilientes e competitivas.
Segundo The Business Year, iniciativas ESG só podem ser construídas com base na compatibilidade financeira e comercial internacional, incluindo as normas ambientais. Assim alguns passos importantes foram dados em Angola nos últimos 6 anos rumo a esse objectivo:
- Em 2020 Foi lançada a Plataforma para os ODS ligada aos sectores económicos relevantes, uma iniciativa Liderada pela Presidência e coordenada pelo Ministério da Economia e Planeamento em parceria com a ONU.
- 2021, Angola apresentou o seu pioneiro Relatório Nacional Voluntário (RNV) sobre a implementação da Agenda 2030 para o Desenvolvimento Sustentável visando criar as bases para estas iniciativas.
- Em 2022, o Conselho de Supervisores do Sistema Financeiro foi incumbido de reforçar o pilar da sustentabilidade para estabelecer uma economia sustentável com base em critérios globais que confirmem o compromisso nacional com o Pacto Global da ONU e o Acordo de Paris sobre as Alterações Climáticas. No mesmo ano as Instituições financeiras foram desafiadas a adoptar princípios e critérios de sustentabilidade ambiental, social e de governança (ESG).
- Embora o país não possua uma estrutura de divulgação ESG (reitera o The Business Year), em janeiro de 2023, lançou-se um plano estratégico para desenvolver políticas ESG, juntamente com um guia de melhores práticas que abrange informações sobre conformidade e divulgação.
- Por sua vez o BNA revelou os detalhes de ESG em 2023, no evento Iniciativa Bancária Sustentável na Era ESG e o Futuro da Governação, realizado em Luanda pela KPMG. Neste sentido, o banco recomendou o estabelecimento de canais de comunicação entre reguladores, bancos e outros agentes do sistema financeiro, bem como um cumprimento uniforme na definição da agenda ESG do sector.
Dados divulgados pelo BNA
O Banco Nacional de Angola (BNA) identificou lacunas na forma como as empresas abordam a sustentabilidade. As principais preocupações são:
- Apenas um terço das 100 maiores empresas do país já publicam informações de sustentabilidade, como bem-estar dos trabalhadores e igualdade de género, juntamente com os seus relatórios financeiros.
- Os sectores que mais se destacam nessa prática são o de petróleo e gás (67%) e o de serviços financeiros (21%), estando os outros sectores ainda com pouca aderência.
Grau de Maturidade
Quando comparado aos padrões internacionais (UE, EUA, OCDE), o mercado angolano está em fase emergente, porém com traços de aceleração e convergência tecnológica e regulatória.
Dados recentes indicam que apenas um terço das 100 maiores empresas angolanas já adota (total ou parcialmente) relatórios ESG ou iniciativas internas compatíveis com os critérios internacionais. O sector financeiro (especialmente o bancário), pressionado pelos reguladores e investidores internacionais, é o que mais avança, existindo já políticas publicadas pelo BFA, Standard Bank Angola, Millennium Atlântico, Banco Caixa Geral Angola e outros.
Conclusão e recomendação
A agenda ESG em Angola está em franco crescimento, marcada por avanços institucionais relevantes e crescente pressão regulatória, mas ainda enfrenta desafios estruturais e assimetrias sectoriais. A incorporação dos critérios ambientais, sociais e de governança deixou de ser uma opção reputacional para se tornar um imperativo estratégico — tanto para atrair capital internacional quanto para garantir resiliência empresarial e alinhamento com compromissos globais como o Acordo de Paris e os ODS.
Apesar da evolução normativa e do engajamento de sectores-chave como o financeiro e o petrolífero, o país ainda carece de mecanismos operacionais robustos, indicadores adaptados à realidade local e maior inclusão das pequenas e médias empresas no processo de transição sustentável. O risco do ESG se tornar uma prática restrita a grandes empresas ou uma resposta superficial à pressão externa exige atenção crítica e acção coordenada.
Referências
- United Nations. (2004). Who Cares Wins: Connecting Financial Markets to a Changing World. UNEP Finance Initiative. https://www.unepfi.org/fileadmin/documents/Who_Cares_Who_Wins.pdf
- KPMG. (2022). Global CEO Outlook 2022: Growth Strategies in Turbulent Times. https://kpmg.com/xx/en/home/insights/2022/08/global-ceo-outlook.html
- Infosys. (2023). ESG Radar 2023: The Business Case for ESG Investment. https://www.infosys.com/newsroom/press-releases/2023/esg-radar-report.html
- Global Reporting Initiative. (2024). GRI Standards. https://www.globalreporting.org/
- Banco Angolano de Investimentos. (2024). Relatório de Sustentabilidade. https://www.bancobai.ao/
- The Business Year. (2024). ESG and Sustainable Investment in Angola. https://thebusinessyear.com/article/esg-and-sustainable-investment-in-angola/
- Governo de Angola. (2025). Angola: Relatório Nacional Voluntário 2025 sobre os ODS. https://sys.portais.gov.ao/uploads/Angola_VNR_2025_PT_3_45a2b1fe2a.pdf
- PNUD Angola. (2023). Adesão ao Pacto Global das Nações Unidas. https://www.undp.org/pt/angola/adesao-ao-pacto-global-das-nacoes-unidas
- Banco de Fomento Angola. (2022). Política de Sustentabilidade. https://www.bfa.ao/media/6433/politica-de-sustentabilidade.pdf
- Standard Bank Angola. (2025). Pacto com Impacto: Resultados e Compromissos. https://www.pactocomimpacto.standardbank.co.ao/impacto/
- Banco Atlântico. (2025). ESG e Sustentabilidade: Estratégia de Sustentabilidade. https://www.atlantico.ao/pt/sustentabilidade/estrategia-de-sustentabilidade/esg-sustentabilidade
- Caixa Angola. (2025). Política de Sustentabilidade e Responsabilidade Social. https://www.caixangola.ao/documentos/fd6ad6b728848301871890c9b3b5c9435615fc43/download
A Eco Angola é uma organização que promove a sustentabilidade com objetivo de preservar o ambiente e promover o bem estar social.


















