Entre os dias 8 e 10 de Julho de 2025, mais de 60 especialistas internacionais reuniram-se em Maun, Botswana, com o objectivo de desenvolver o primeiro mapa global de uma bacia hidrográfica baseado na Tipologia Global de Ecossistemas da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN). A iniciativa visa reforçar a protecção das terras e das águas da Bacia do Rio Cubango-Okavango, reconhecida como um dos últimos grandes rios de fluxo livre do mundo.
O encontro, organizado pela PLuS Alliance, pela Comissão Permanente da Bacia Hidrográfica do Rio Okavango (OKACOM) e pelo Instituto de Pesquisa do Okavango (ORI), contou com a participação de decisores políticos, gestores ambientais, representantes comunitários e cientistas provenientes de Angola, Botswana, Namíbia, África do Sul, Austrália, Estados Unidos e Reino Unido. Estiveram presentes 2 delegados da EcoAngola.
Durante os três dias de trabalho, os participantes analisaram a biodiversidade única e os diversos serviços ecossistémicos prestados pela bacia, incluindo o fornecimento de água doce, alimentação, materiais para construção, turismo e valores culturais e espirituais. Foram discutidos os desafios ambientais actuais e previstos, como alterações climáticas, desflorestação, poluição e gestão inadequada dos recursos hídricos.
Recomendações chave
Ao longo do workshop foram feitas recomendações essenciais para guiar os governos, organizações não-governamentais e investidores na protecção e gestão sustentável da bacia:
- Abordagem integrada através da Tipologia Global de Ecossistemas: Promover uma metodologia padronizada que sirva de referência comum para a gestão da biodiversidade e dos serviços ecossistémicos em toda a bacia, incluindo áreas protegidas internacionais como o KAZA e locais classificados como Património Mundial.
- Investimento em investigação e monitorização: Identificar e colmatar lacunas críticas nos dados científicos, especialmente no que toca aos caudais dos rios e impactos das alterações climáticas, facilitando decisões fundamentadas sobre a gestão dos recursos.
- Compromisso com a transparência e partilha de dados: Incentivar políticas de acesso aberto e protocolos claros de partilha de informação entre governos, instituições e organizações envolvidas na gestão dos recursos naturais.
- Melhoria dos sistemas de reporte ambiental: Assegurar relatórios públicos regulares e acessíveis sobre indicadores ambientais, utilizando dados satélite combinados com informação local e especializada.
- Colaboração institucional fortalecida: Incentivar uma cooperação mais estreita e permanente entre governos, sector privado e sociedade civil, promovendo soluções conjuntas e investimentos integrados à escala regional.
- Capacitação institucional: Reforçar as competências das instituições locais responsáveis pela gestão dos recursos hídricos e naturais, garantindo sustentabilidade a longo prazo.
- Governança integrada e inclusiva: Aproximar comunidades locais aos processos de decisão, garantindo que as suas vozes e necessidades sejam integradas na gestão ambiental da bacia.
Próximos passos para um futuro sustentável
Nos próximos meses, serão implementadas importantes acções resultantes do workshop, incluindo:
- Criação do primeiro mapa detalhado e padronizado dos ecossistemas terrestres e aquáticos da bacia do Cubango-Okavango;
- Publicação de relatórios específicos para cada ecossistema, descrevendo processos ecológicos, ameaças, soluções e serviços prestados às comunidades locais;
- Desenvolvimento de uma publicação científica com o objectivo de partilhar globalmente as lições aprendidas e os resultados alcançados.
Este workshop foi possível graças ao financiamento do Lake Eyre Basin Alliance, vencedor do prestigiado prémio internacional “River Prize”, reforçando o compromisso global com a conservação dos rios livres e ecossistemas saudáveis.
Com esta iniciativa inovadora, a Bacia do Cubango-Okavango posiciona-se como referência mundial na aplicação de novos padrões científicos para a gestão integrada e sustentável de ecossistemas fluviais, reafirmando a importância deste tesouro ambiental para Angola, para a região e para o mundo.

















