O tráfico de pangolim em Angola não é novo nem desconhecido. Desta vez, a denúncia chegou às redes sociais: a comercialização da espécie ameaçada no troço Malanje – Cuanza-Norte.
Fonte: À esquerda: White-bellied Pangolin (Phataginus tricuspis) ou Pangolim-de-barriga-branca (Phataginus tricuspis); À direita: pangolim-terrestre-de-Temminck (Smutsia temminckii).
Entre as espécies de pangolim registadas em Angola destacam-se o pangolim-terrestre-de-Temminck (Smutsia temminckii) e o pangolim-de-barriga-branca (Phataginus tricuspis), consideradas espécies ameaçadas devido às pressões provocadas pela caça ilegal, perda de habitat e comércio clandestino. A situação levou Augusto Valela a manifestar a sua indignação nas redes sociais, apelando para uma maior protecção destes animais.
Leia o artigo da EcoAngola: A problemática dos Pangolins e o Covid–19
“Infelizmente, estes animais continuam a ser intensamente traficados para consumo da carne e utilização das escamas para fins inconfessos. E isto está a contribuir para o declínio das suas populações.”, escreveu Augusto Valela na sua rede social.
Em conversa mantida via telefónica, com a EcoAngola, terça-feira, 14 de Julho, Augusto Valela informou que a situação foi registada nas proximidades do município do município do Cerca, quando saía de Malanje em direcção ao Cuanza-Norte.
A renda obtida com este comércio ilegal incentiva a caça furtiva no nosso país, contribuindo para o declínio das populações de espécies selvagens e podendo levar, em alguns casos, à extinção local de espécies da fauna nacional.
Além de ameaçar a biodiversidade, esta prática tem graves impactos no bem-estar dos animais. Muitos não sobrevivem à captura ou ao transporte devido às condições precárias a que são sujeitos. Frequentemente, são alvo de maus-tratos, recebem alimentação inadequada, são mantidos em gaiolas superlotadas, sem espaço suficiente para se moverem, e acabam por sofrer de desnutrição, stress, ferimentos ou doenças.
Algumas fontes indicam que as escamas e as unhas do pangolim são vendidas para fins medicinais em mercados asiáticos ou utilizadas em práticas de feitiçaria e rituais tradicionais. Perante estas ameaças, a Fundação Cuerama, no Cuanza Sul, desenvolve desde 2024 um trabalho de conservação da espécie baseado no envolvimento das comunidades locais. Como parte desta iniciativa, criou o projecto Guardiões da Floresta, que sensibiliza os caçadores das aldeias para deixarem de caçar o pangolim. Desde o início do projecto em Angola, já foram resgatados mais de 50 pangolins encontrados em armadilhas ou no mato. A identificação das rotas de tráfico da espécie ainda se encontra numa fase inicial, mas a fundação tem vindo a mapear as áreas onde os animais são encontrados e onde existem registos de tráfico, trabalhando em articulação com as administrações locais para implementar medidas de prevenção.
O comércio ilegal de animais selvagens abre portas para a criação destes em cativeiro, facto que prejudica imenso a nossa fauna e interfere no equilíbrio e no desenvolvimento natural de outros seres que partilham o mesmo ecossistema.
Os comentários ao post: entre a lei e a sua aplicabilidade
A publicação gerou uma série de comentários em torno da necessidade de responsabilização dos infractores e da efectiva aplicação das medidas previstas na legislação para a protecção das espécies animais ameaçadas.
Fontes:
A problemática dos pangolins e o COVID-19
https://www.inaturalist.org/taxa/74866-Phataginus-tricuspis
https://www.facebook.com/watch/?mibextid=wwXIfr&v=1031382346020637&rdid=OKXGF2ywuDMP4GwA
Comércio Ilegal da Vida Selvagem e a Criação em Cativeiro
https://www.publico.pt/2026/07/11/azul/noticia/excacadores-tornamse-guardioes-floresta-ajudam-salvar-pangolins-angola-2181309
https://www.publico.pt/2026/07/11/azul/noticia/excacadores-tornamse-guardioes-floresta-ajudam-salvar-pangolins-angola-2181309
A Eco Angola é uma organização que promove a sustentabilidade com objetivo de preservar o ambiente e promover o bem estar social.










