Os aglomerados de resíduos sólidos registados pela EcoAngola ao longo dos Zangos 1, 2 e 3, na província de Icolo e Bengo, evidenciam um dos principais desafios ambientais e sanitários da região. O registo fotográfico, efectuado pela EcoAngola em meados de Julho, documentou vários pontos onde o lixo está depositado de forma indiscriminada em vias públicas, terrenos baldios e valas de drenagem, representando uma ameaça à saúde pública e à qualidade de vida das comunidades.
Fonte: EcoAngola, Julho 2026
As imagens registadas mostram montanhas de resíduos domésticos e outros materiais acumulados em espaços destinados à circulação de pessoas e veículos, transformando áreas habitacionais em autênticos focos de poluição. Para além do impacto visual, a deposição inadequada de resíduos constitui um grave problema de saúde pública, cujos impactos vão muito além da proliferação de moscas, mosquitos e outros vectores de doenças.
Fonte: EcoAngola, Julho 2026
A situação observada pela EcoAngola não constitui um caso isolado. Nas últimas semanas, diferentes reportagens da imprensa nacional têm alertado para o agravamento da acumulação de resíduos em vários bairros dos Zangos, com destaque para as valas de drenagem. A situação tem sido igualmente alvo de críticas recorrentes nas redes sociais. Em diferentes publicações consultadas pela EcoAngola, internautas denunciam a persistência de focos de lixo em vários bairros dos Zangos, apontando como principais causas a insuficiência de contentores, a irregularidade da recolha e, em alguns casos, alegados atrasos nos pagamentos às cooperativas responsáveis pelo serviço.
Durante o trabalho de campo, a equipa da EcoAngola conversou com um catador de resíduos recicláveis que actua na localidade. O entrevistado explicou que a recolha é feita de forma individual e que os trabalhadores dedicam-se à recolha de diferentes tipos de resíduos, como vidro, ferro, latas e papel, os quais são posteriormente vendidos por peso nos centros de compra existentes nas proximidades do Zango 4. Segundo o catador, estes materiais seguem depois para empresas localizadas no Zango 3 e em Viana, que os encaminham para reciclagem.
O catador, que preferiu não ser identificado, afirmou que a acumulação de resíduos nas vias que interligam as zonas da Sagres e da Dira se prolonga há bastante tempo. Segundo o seu testemunho, parte do problema surgiu após a reorganização administrativa da região, período em que, segundo refere, foram retirados os contentores e ocorreram alterações na organização do serviço de limpeza.
O testemunho reforça a importância do trabalho dos catadores, que recuperam materiais recicláveis e ajudam a reduzir a quantidade de resíduos que permanece no ambiente. A EcoAngola considera importante que esta actividade seja mais valorizada e integrada nas políticas de gestão de resíduos.
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Follow up: À esquerda, registo fotográfico feito no dia 19 de Julho pela EcoAngola; à direita, a notícia divulgada no portal Zango TV no dia 13 de Julho. Mais abaixo, uma imagem mais recente do local.
Os reforços na gestão de resíduos no Icolo e Bengo
Em Abril de 2026, o Ministério do Ambiente havia anunciado o reforço de meios destinados à gestão de resíduos urbanos na província de Icolo e Bengo. A iniciativa incluiu a disponibilização de equipamentos e o fortalecimento da cooperação com os municípios, tendo como objectivo melhorar o saneamento, promover a educação ambiental e reforçar a capacidade de resposta na recolha de resíduos. No entanto, sem ter mencionado, no texto, do site do ministério de tutela, quais as estratégias (para evitar possíveis riscos de paralisação de serviços de recolha).
Seguimento: sinais de mudanças no Zango?
Durante uma segunda deslocação ao local, realizada a 30 de Julho, a EcoAngola constatou que decorriam operações de recolha de resíduos em alguns dos pontos anteriormente afectados. Embora esta intervenção represente um sinal positivo, os registos efectuados ao longo do mês de Julho evidenciam a dimensão da acumulação de resíduos nas semanas anteriores e reforçam a importância de assegurar um serviço de recolha regular e contínuo para evitar o reaparecimento destes focos de lixo.
Um desafio que exige responsabilidade colectiva
A acumulação de resíduos nas valas de drenagem merece especial atenção. Durante o período chuvoso, o lixo transportado pelas águas pode obstruir os canais, aumentar o risco de inundações e favorecer a contaminação dos cursos de água, com impactos directos nas comunidades.
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A EcoAngola considera essencial que as operações de recolha sejam asseguradas de forma regular e contínua, sendo complementadas pela instalação de contentores em locais adequados e por acções de sensibilização comunitária. Estas medidas são fundamentais para prevenir o reaparecimento de focos de lixo e reduzir os impactos ambientais e sanitários associados à deposição inadequada de resíduos.
Fontes:
https://www.opais.ao/ultima_hora/amontoados-de-lixo-resistem-nas-ruas-do-zango-e-entopem-valas-de-drenagem/
https://ecoangola.com/catadores-de-materiais-reciclaveis-em-angola/
https://ecoangola.com/desafios-quotidianos-de-um-catador-em-angola/
https://www.opais.ao/ultima_hora/amontoados-de-lixo-resistem-nas-ruas-do-zango-e-entopem-valas-de-drenagem/
https://ecoangola.com/como-o-acumulo-de-residuos-e-saneamento-precario-compromete-solo-e-aguas-do-rio-cabolombo/
https://minamb.gov.ao/web/noticias/ministerio-do-ambiente-reforca-gestao-de-residuos-no-icolo-e-bengo.?utm
https://lex.ao/docs/presidente-da-republica/2026/decreto-presidencial-n-o-102-26-de-29-de-maio/
A Eco Angola é uma organização que promove a sustentabilidade com objetivo de preservar o ambiente e promover o bem estar social.










